quinta-feira, dezembro 28, 2006
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Rubem Braga
Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.
Rio, abril de 1952.
Texto extraído do livro "A Borboleta Amarela", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 145.Saiba tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".
Alguns brasileiros, frente a tanta dificuldade na terra natal, acham que o pior lugar no exterior ainda é melhor do que enfrentar as dificuldades no Brasil. Entretanto, não percebem que a língua dificulta a adaptação, quem não domina o idioma sofre para conseguir emprego e mesmo para comunicar-se no dia-a-dia. Fazer amigos, então, torna-se tarefa árdua.
A vivência em uma cultura diferente, com uma língua diferente, integrando-se ao cotidiano do povo é uma experiência extremamente enriquecedora. Torna-se inevitável a comparação e é neste momento que está o maior ganho de se viver um tempo fora do país. O confronto entre realidades distintas possibilita a assimilação de defeitos e qualidades em cada um dos lugares. O estrangeiro passa a sentir falta das coisas boas do seu país e mesmo daquelas não tão boas assim, mas que o fazem lembrar de casa. Por outro lado, tem a oportunidade de avaliar outros valores que lhe são apresentados, outra forma de vida e de relacionamento.
A viagem começa muito antes do embarque no avião, ônibus, trem ou navio, com pesquisa, aprendizado (principalmente da língua e costumes do local onde se irá morar ou visitar), enfim, toda a preparação que uma viagem requer.
segunda-feira, dezembro 04, 2006

Nossa, fazia muito tempo que eu não postava nada... O tempo aqui parece que passa mais rápido!
Muitas mudanças nas ruas. As cidades estão ficando cada vez mais lindas. Tanto pela mudança de estação, as árvores já perderam quase todas as folhas, deixando a paissagem com um tom bucólico; quanto pela aproximação de Natal, as casas começam a se enfeitar e em quase todas as cidades há uma feira de Natal.
A feira aqui de Stuttgart se auto-denomina a maior e mais bonita da Europa. Realmente é enorme e muito bonita mesmo!!!
Esse final de semana foi pra maravilhar os olhos e lavar a alma!
No Sábado fomos pra Ludwigsburg, a cidade é lindinha, bem pequena e se desenvolveu em torno de dois castelos. Um deles gigantesco, é o Scholss Residenz, que foi contruído pelo Duque Eberhard Ludwig, já que sua esposa morava em Stuttgart no Altes Scholss e sua amante vivia em Ludwigsburg. Entretanto o Duque morreu antes do castelo ser terminado e nunca chegou efetivamente a morar lá!
O castelo possui belíssimos jardins e seu interior é ricamente decorado, apresentando características de três estilos arquitetônicos: barrico, rococó e empire.
Em frente a este castelo está o Scholss Favorite, um pequeno castelo, mas com uma graciosidade peculiar.
Seus jardins não são tão ricamente decorados como os do Residenz, em compensação há animais soltos por toda a propriedade, incluindo alces! Nem acreditei que tinha ficado a uns 5 metros de distância de um alce de verdade!

Aliás quase tudo aqui é muito distante da realidade de um brasileiro. Só aqui é que eu fui realmente o sentido de toda a decoração Natalina, o porquê dos pinheiros, da roupa do Papai Noel, do trenô e das Renas. Esta é a realidade do norte europeu. Pra eles isso é o cotidiano!
Me divertido pra valer!
A visita guiada ao Scholss Residenz é imperdível! Passa por 70 dos mais de 400 cômodos do palácio, conhecendo realmente o castelo e não aquelas visitas que te levam apenas a partes menos importantes dos palácios!
Ahh, tinha até me esquecido deste detalhe, mas a torre que inspirou a história da Rapunzel fica nos jardins deste palácio!! Muito legal!!!

No final do dia passeamos pela feirinha de Natal, que é bem mais bonita nos postais do que ao vivo, mas tem lá o seu charme. Os enormes anjos com suas asas iluminadas dão uma sensação muito agradável.
Já no Domingo fomos a Esslingen am Neckar, a cidade foi construída às margens do Rio Neckar e sua arquitetura preserva o estilo medieval. Quem entra no centro histório da cidade se sente realmente transportado para a Idade Média!
Atravessando o Rio, entramos na feira de Natal que a princípio é apenas mais uma dentre as tantas aqui na Alemanha. Mas é só a primeira impressão!
Seguindo um pouco mais se entra na feira medieval propriamente dita. As barracas são tendas de pano, como vendendores vestidos dos pés a cabeça a caráter, produzindo peças artesanais enquanto a gente se encanta vendo! E não são só os vendedores que se vestem a caráter, a população também entra no clima e capricha na produção!
Não deu pra tirar muitas fotos, pois a iluminação é toda com tochas e não se enchergava quase nada. Mas vamos voltar lá durante o dia pra curtir um pouco mais dessa beleza.

Tem um senhor narrando a história do nascimento de Cristo, com direito a presépio com ovelhas e burricos (vivos)!
Tem música ao vivo, música medieval, daquelas de filme mesmo!!!
E arco e flecha e roda gicante medieval, enfim, parece mesmo uma feira como aquelas dos filmes!
Fiquei encantanda!
Cada lugar que a gente vai eu digo que é a coisa mais linda do mundo... hehehe
Mas na minha lista de imperdíveis até agora estão: Tübingen, Esslingen (especialmente nesta época de Natal) e Ludwigsburg.
Todas são cidades bem pequenas, nos arredores de Stuttgart, Esslingen e Ludwigsburg ficam a poucos minutos de trem. Paga-se apenas uma ou 2 zonas a mais pelo trem, mas é o mesmo trem que a gente se locomove pra ir a alguns lugares dentro da cidade.
Vale a pena conhecer a Alemanha e descobrir seus recantos! Realmente é um país belíssimo!
