segunda-feira, novembro 13, 2006
Ontem uma amiga me pertuntou como eu aguentava isso... Por isso leia-se ficar sem trabalhar, apenas estudar, cuidar da casa, lavar, passar, cozinhar, etc.
Fiquei pensando, matutando. É engraçado como há uma pressão social sobre a mulher. Há 50 anos atrás era estranho que uma mulher não quisesse apenas fazer isto. Que quisesse trabalhar fora ao invés de ficar cuidando da casa, do marido e dos filhos.
E agora as pessoas ficam achando estranho que eu tenha largado um emprego que não me dava muito dinheiro nem realização no Brasil pra viver um ano ao lado do (e sendo sustentada pelo) meu marido.
O mundo dá voltas, mas a pressão continua a existir, seja ela qual for!
Claro que eu queria estar trabalhando, produzindo alguma coisa fora de casa. Mas não acho de um todo mal poder me dar esse tempo pra pensar na vida, refletir sobre o que eu quero fazer quando voltar para o Brasil.
Não tenho muito vontade, pelo menos agora de voltar a advogar. O último mês em Porto Alegre me trouxe tanto estresse que cheguei a cogitar largar a advocacia mesmo se não estivesse vindo pra cá.
Então esse ano vai me fazer, aliás, já está me fazendo, muito bem.
Quem sabe eu não vir escritora. Recebi tantos elogios que essa idéia que me era tão íntima e sem muita força começou a tomar fôlego.
Eu amo escrever. Há um tempo atrás a minha Dinda me emprestou um livro que se chama Cartas a um Jovem Poeta. São conselhos a um jovem poeta, em dúvida sobre se dedicar a este ofício tão complexo.
Em um trexo tem uma passagem que me marcou muito. O autor questiona o poeta se conseguiria viver sem escrever.
Definitivamente eu não conseguiria viver sem isso. É meu desabafo, minha forma de organizar as idéias, enfim, meu porto seguro. Sempre foi.
Na advocacia o que eu mais gostava era de redigir uma peça. Fluía e como isso era agradável.
Esse vai ser um ano de lua-de-mel, de viajar, de conhecer o mundo e a mim mesma! Um ano de aprendizado sobre o mundo e sobre a vida.
domingo, novembro 12, 2006
Depois de uma semana meio turbulenta por causa de problemas com o meu visto, o final de semana foi de tranqüilidade total!!!
Só pra esclarecer. O meu visto foi dado no Brasil de 3 meses para acompanhamento familiar. Perguntei centenas de vezes se não haveria a necessidade de sermos casados, se apenas a escritura pública de união estável que nós temos seria suficiente. Disseram que não havia problemas. Quando pedi a prorrogação do visto por um ano aqui foi o maior fusuê! A moça do departamento de imigração daqui foi super atenciosa conosco, entendeu a nossa situação, viu que tinham me dado o visto no Brasil e disse que não era nossa culpa, então ela me deu um visto especial, que não é o que eu deveria ganhar, por um período de seis meses, prorrogável por mais 6. Agora está tudo regularizado, mas passamos um apertinho....
Ontem fez um ano que eu e o Léo estamos juntos. Passou o dia todo chovendo, então acabamos comemoramos em casa, passamos o dia todo de bobeira, só namorando! Tudo de bom!!! Estamos muito bem e felizes, graças a Deus!

Hoje em compensação tiramos o dia pra passear. Saímos de casa e fomos caminhar no parque que tem aqui pertinho. Uma horinha de caminhada só com barulhinho de natureza, melhor impossível!
Depois almoçamos um Kebap no centro e fomos andar de patins! Enfim consegui carregar o Leonardo até lá... hehehe
O dia foi simplesmente maravilhoso!!!
A cidade é muito linda, convida a passeios ao ar livre. Tem muitos parques e áreas verdes, com bosques e florestas preservados, onde se pode fazer caminhadas por trilhas muito bem cuidadas e sinalizadas. E o melhor é que a gente não precisa se preocupar que tenha um maníaco no meio do parque. Parece não existir violência aqui. Também, com a qualidade de vida que tem-se aqui, pra que violência...
Hoje conhecemos mais um casal de brasileiros que estavam patinando com os filhos na feirinha de inverno. Muito queridos. Está sendo mais fácil de fazer amizades do que eu pensei que seria.
Encontramos também um outro amigo alemão, casado com uma brasileira.
A única coisa que me preocupa é só ficar falando em português e não aprender o alemão, mas estu me esforçando pra que isto não aconteça.
Bom, por hoje chega, que estou exausta, querendo minha caminha...
Beijos!!!
quarta-feira, novembro 08, 2006
As aulas do meu curso de alemão começaram ontem.
Muito legal, tem gente de várias lugares do mundo: Japão, Iraque, Grécia, Turquia, Grécia, Rússia, Tailândia, Croácia, Kosovo, Argentina, Cuba, Suíça e mais alguns que não estou me lembrando agora. Uma verdadeira babel!
A professora só fala alemão, bem devagar e com palavras mais simples. Mesmo quando não entendo exatamente o que ela está dizendo, dá pra pegar o sentido da coisa.
Mas a língua universal, não adianta negar, é o inglês! Nos intervalos das aulas é a língua que mais se ouve. É assim que a gente consegue se comunicar.
E como se torna fácil falar inglês depois de algum tempo tendo que se comunicar. Tudo bem que o meu inglês é completamente capenga, mas eu entendo quase tudo que as pessoas me dizem e consigo me fazer entender.
O que estou sentindo maior dificuldade em me adaptar é mesmo com a língua e com a falta de vontade da maioria das pessoas em serem pelo menos simpáticas. Ontem fomos na polícia de imigração para prorrogar o meu visto e tive vontade de chorar por que lá eles não fazem a menor questão de te ajudar, pouquíssimas as pessoas que falam inglês e ninguém fluente, nem eu, daí fica muito difícil.
Fiquei bem preocupada com a renovação do visto. Muito embora no consulado no Brasil tenham nos dito que não haveria problema ou diferenciação entre a União Estável (que nós temos) e o casamento, aqui a coisa é bem diferente.
Até a gente conseguir explicar que fucinho de porco não é tomada foram duas idas até lá e algumas caras feias.
Me mandaram ligar pra marcar uma entrevista. Liguei hoje à 1 da tarde e já estava fechado, assim fica difícil...
Amanhã vou ligar antes de ir pra aula e ver o que elas me dizem.
Torçam por mim!!!
A vida aqui tem suas vantagens e desvantagens, como em qualquer lugar no mundo.
Se me perguntassem o que eu gostaria de levar para o Brasil, certamente alguns itens não faltariam na minha lista:
- paisagens: pra qualquer lugar que se olhe tem uma paisagem linda esperando para ser apreciada. A cada dia a paisagem muda, conforme vai esfriando, parece que a cidade se despede do outono e se prepara para o rigoroso inverno que já está começando a dar o ar da sua graça. Desde que cheguei as árvores mudaram completamente de tonalidade: do verde para o amarelo e agora já estão perdendo completamente as folhas, que cobrem o chão, formando um maravilhoso tapete. Às vezes me pego apreciando a paisagem, parece que estou dentro de um cenário de um daqueles filmes bem românticos. Ahhh, Outono em NY é a paisagem que mais se aproxima...
- transporte público: aqui em cada parada há um painel com as informações de trajeto, horários, etc. O ônibus passa exatamente na hora marcada. A gente compra um passe para o mês inteiro (eu pago uns 40 euros e estudantes pagam um pouco mais de 30) e se anda o quanto quiser de ônibus, s-bahn e u-bahn, dentro da zona 1. É realmente muito eficiente. Sem falar que todos os transportes públicos têm calefação e paineis eletrônicos e uma gravação informando qual é a próxima parada e que conexões são feitas naquele local. MARAVILHOSO!!!
- comida: levaria várias coisas gostosas que andamos experimentando por aqui, especialmente as würsts (embutidos) e uma sobremesa que eu e o Léo estamos viciados... hehehe... Se chama Rote Grütze, é uma calda bem leve com frutas vermelhas, mas com as frutas mesmo, e se come com um creme de baunilha, hummm, é muuuito bom!!! Mas levaria mesmo é o preço da comida! Mesmo que se converta, é muito mais barato comer aqui. As coisas com uma qualidade bem superior e com preços bem acessíveis. Pelo menos passar fome aqui com certeza nós não vamos!!!
- tradições: o povo cultiva suas tradições, e como já ouvi de outros brasileiros que já vivem aqui há mais tempo, aqui se vive cada estação, com cheiros, gostos, cores e sabores característicos de cada estação. Agora está tendo a feira de inverno, com vinho quente, comidas típicas e patinação no gelo. Em dezembro começam as feiras de Natal. Estou louca pra ver, dizem que é maravilhosa!!!
Agora, se me perguntassem o que eu gostaria de trazer do Brasil pra cá, ihh, muitas coisas: minha família, meus amigos, o calor, a simpatia e a felicidade do povo com certeza estariam na minha mala!!!
Bom, já que não dá pra juntar tudo isso num único lugar, eu curto aqui, espero a visita dos meus queridos e vou matando um pouquinho das saudades pela internet!
Beijocas,
Gabi
quinta-feira, novembro 02, 2006

Esses últimos dias foram de novidades e adaptação.
Não tive mto tempo nem mta paciência pra escrever. Estive tão alvoroçada que minhas mãos não seguiam a velocidade do meu pensamento.
Aqui foi feriado dia 01 de novembro, ainda não descobri o porquê do feriado, mas vá lá, aproveitamos bastante...
Fizemos o meu primeiro passeio pra fora da cidade.
Fomos para Tübingen de d-bahn, usando as tarifas extremamente baratas para grupos. Usamos o Baden-Württemberg ticket, que dá direito a até 5 pessoas utilizarem quantos trêns quiserem durante todo o dia. Tudo isso por 25 euros. Uma maravilha.
Saímos de Stuttgar no final da manhã. Uma horinha de trem, com paisagens maravilhosas no caminho e já estávamos um Tübingen.
A primeira coisa que me chamou atenção foi a quantidade de bicicletas na estação de trem! As pessoas usam muito ir de bicicleta até a estação e deixar no bicicletário. Muito interessante mesmo.
A cidade é uma graça! Tudo muito antigo, me senti como se estivesse dentro de um conto de fadas. O que não deixa de ser verdade.
Aproveitamos um monte. Caminhamos, conhecemos um parque lindo, a igreja, um castelo maravilhoso onde fica a universidade, que aliás é a terceira maior da Alemanhã. Tudo ótimo!
De volta à Stuttgart, demos uma passada na feira de inverno pra tomar um Gluwine, um vinho quente, parecido com o quentão, mas é só o vinho aquecido mesmo.
Já no final de semana fomos pra München (Munique), usando o ShönesWohenend Ticket, que saí 30 euros para até 5 pessoas, uma barbada!!!
A cidade é muito bonita, principalmente os prédios antigos. A Marienplatz e a Rathaus são indescritíveis, são muitos detalhes que os nossos olhos nem conseguem captar tudo de uma só vez.
Só achei muito turística e muito cara. Aliás, as grifes mais famosas do mundo estão lá. Tem uma rua que é só de grifes, a gente ficou babando nas vitrines.
Amei o Englisher Garten que é o maior parque do mundo, maior até do que o Central Park. Tem vários canais cortando o parque, num deles chega a formar umas ondas por causa da correnteza e dizem que o pessoal pega onda no verão.
Fiquei dando comida pros patos, cisnes e gansas, a coisa mais linda!! Uma paisagem deslumbrante.
Na verdade eu curto mais isso, os passeios por lugares menos turísticos, conhecer um pouco da vida na cidade, do dia-a-dia. Caminhar, sentar num parque sem pressa de conhecer a próxima atração.
Amanhã começam as minhas aulas de alemão, só quero ver...
A próxima viagem vai ser pra Ludwigsburg, eu acho, no meu aniversário!!
Essa semana vamos curtir um pouco Stuttgart mesmo que ainda nem conhecemos direito!

